Após corridas canceladas e indefinições para a segunda metade do calendário, a FIA estuda levar a última corrida do calendário de 2026 para a Europa. Atualmente a Formula 1 é encerrada no circuito de Yas Marina, em Abu Dhabi, onde, apesar das críticas, decisões de títulos históricas já ocorreram desde a entrada do circuito na categoria, a exemplos das temporadas de 2010 e 2021. 

Desde a última vez em que a Formula 1 foi decidida na Europa, alguns palcos espalhados pelo mundo já tiveram a oportunidade de sediar a corrida final da temporada. Os autódromos mais marcantes nesse período são a já citada Yas Marina, em Abu Dhabi; Interlagos, no Brasil (como esquecer 2008?); e Suzuka, no Japão.

Esse contexto todo nos leva para Jerez de la Frontera, na Espanha, no ano de 1997, última vez que a Formula 1 foi decidida no continente europeu. A temporada foi marcada pela disputa entre o novato Jacques Villeneuve, guiando a favorita Williams, e o então bicampeão Michael Schumacher, numa Ferrari que não vencia o título de pilotos há 18 anos. O campeonato chegou para o GP da Europa, em 26 de outubro, com o alemão na liderança da tabela tendo apenas um ponto de vantagem sobre o canadense.

O fim de semana já começou peculiar no treino classificatório. Villeneuve, Schumacher e Heinz Frentzen (companheiro de Jacques na Williams), empataram na pole com o tempo de 1m21s072. O regulamento apontava que, em casos como este, levava a vantagem quem marcou o tempo primeiro. Portanto, Villeneuve na ponta.

Schumacher tomou o primeiro lugar já na largada, com Villeneuve no encalço. Com ambos correndo em um ritmo totalmente diferente dos demais. As posições se mantiveram após a primeira parada no pit-stop, momento que antecede a primeira grande polêmica da corrida. Com Villeneuve sendo atrapalhado pelo argentino Norberto Fontana, então piloto da Sauber – que corria com motores Ferrari –, a Williams protestou argumentando que as manobras defensivas eram propositais e a mando da equipe italiana. Em 2006, Fontana admitiu ter sido orientado pelo próprio Jean Todt a atrapalhar o canadense na corrida.

Após a segunda parada e aproveitando a queda no rendimento de Schumacher, Villeneuve partiu pra cima do alemão. Na volta 48 das 69, o canadense mergulhou na curva Dry Sack e colocou seu Williams lado a lado com Schumacher. O alemão, em um de seus episódios de jogo sujo, fez um movimento brusco pra cima de Villeneuve, já que um abandono do rival seria vantajoso para ele. O tiro, contudo, saiu pela culatra. O piloto da Williams manteve-se na pista sem danos, enquanto Schumacher precisou abandonar com danos no carro. Bem humorado, Villeneuve declarou ao jornalista Fred Sabino em 2017 que agradecia pelo toque de Schumacher. 

— Ainda bem que ele fez aquilo, senão eu iria passar reto na curva. Ele me fechou e o toque me ajudou a ficar na pista! — declarou o canadense.

Villeneuve permitiu que Mika Hakkinen e David Coultard o ultrapassassem no final da prova, encerrando a corrida na terceira colocação. Descobriu-se mais tarde que o movimento deliberado de deixar as McLarens passarem foi uma ordem do próprio Frank Williams, em retribuição à ajuda que uma equipe prestou à outra naquele ano.